segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O futsal feminino

Um destes dias, numa das leituras que faço regularmente, encontrei um artigo de opinião que relatava a diferença entre os homens e as mulheres no desporto na perspectiva do treinador.

Quando se questiona sobre a principal diferença entre treinar futsal feminino ou masculino, a maioria responde que a maior diferença reside na velocidade, na técnica, na intensidade, na brutalidade. Mas a maior diferença e por sua vez a maior dificuldade reside na Motivação, pois saber motivar mulheres é muito difícil e complicado… As mulheres são mais complexas e complicadas, “não aceitam” um discurso oco e sem conteúdo, enquanto aos homens, basta-lhes um discurso agressivo, directo e simples para que se motivem.

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Dou um exemplo concreto, imagine-se que ao intervalo a equipa está a perder e a fazer um jogo miserável e na palestra o treinador diz o seguinte: - Vocês estão a levar um festival de bola, são uns (umas) anjinhos (as), a equipa adversária faz o que quer de vós e eu se fosse a vocês sentia-me envergonhado do jogo miserável que estão a fazer (e isto com uns palavrõeszitos pelo meio), vamos entrar na 2ª parte e demonstrar que somos melhores!

Reacção dos homens: Entram na 2ª parte a “espumar-se” e só querem correr, lutar e demonstrar ao treinador que tudo o que ele lhes disse está errado.

Reacção das mulheres: O treinador é maluco, é bruto, básico, etc, e em vez de nos “puxar” para cima, ainda nos deitou mais abaixo e se é isso que ele pensa que corra ele.
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No artigo do autor, relata esta dificuldade, salientando que nem toda a gente consegue treinar uma equipa feminina, e a realidade gritante é que não é fácil mesmo. Enquanto nos homens o desejo é vencer a qualquer custo, as mulheres têm mais o desejo de participar. Enquanto os homens querem é somar 3 pontos, as mulheres querem é jogar. Enquanto que se um homem não joga num jogo, este vai trabalhar o dobro para ser opção no próximo, as mulheres ficam chateadas, amuam, culpam o treinador e deixam de se esforçar porque "não vale a pena".

No entanto, a verdade é que tudo isto enriquece um treinador,obriga a pensar e a saber motivar os jogadores, a procurar formas menos básicas de discursar, levando-nos a ter um discurso com algo mais do que 2 ou 3 berros e alguns palavrões, ou seja, com substância…

Mas posso concluir também que tenho alguma sorte de treinar as pessoas que treino, que noto o crescimento a este nível, que entendem o jogo, que me entendem a mim treinador e as opções que tomo. Vejo que muitas delas evoluíram muito em 2 anos, e quanto mais trabalhadoras e com desejo de aprender e melhorar, mais capazes e fortes mentalmente são! Reconheço que algumas jogadoras ainda não têm incutido o espírito de grupo, ainda não sabem avaliar um jogo e perceber as opções, mas reconheço que temos uma média de idades muito baixa e que isso é trabalho de treinador.
Vou continuar a trabalhar neste sentido...

2 comentários:

  1. Concordo totalmente com esta análise. As mulheres exigem outro tipo de estratégia; a mensagem tem de lhes chegar ao coração em primeiro lugar, só depois chegará à cabeça. Mas o treinador do CADE sabe fazer isso muito bem.
    Parabéns a todos e continuem a trabalhar em equipa.E quem não estiver tão bem que tenha a humildade de dar o lugar a outra e continuar a trabalhar para conquitar o seu lugar.

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